terça-feira, 1 de outubro de 2013

Poema "Mestre da Farsa" & Pista para o Passatempo Poético

Bom dia, minhas gentes.

Hoje gostaria de partilhar com vocês mais um poema, aqui no Plano das Palavras. Este poema tenta descrever a visão daqueles que sabem que têm que esconder o seu verdadeiro Eu Impuro, de modo a conseguirem viver em comunidade:



Encaro a vida com falsidade,
Sou o mestre do fingimento.
Faço da farsa monumento,
Minto com agilidade.

Esta conduta é necessária,
Não posso mostrar minha malfeitoria.
Meu interior é peçonhento,
Meu pensar é virulento.

Sou um sórdido ser,
Mas ninguém pode saber.
Uso uma máscara angelical,
Pareço exemplo de pureza monastical.

Para em comunidade viver,
A decadência tenho que esconder.
Para conseguir sobreviver,
Minha degradação moral finjo transcender!

Agora, quanto à pista do Passatempo Poético. Como podem ver na mensagem anterior (http://planopalavras.blogspot.pt/2013/09/passatempo-poetico-oferta-de-versao.html), estou a oferecer cinco exemplares da Coletânea de Devaneios aos cinco primeiros que acertem o número de dores que Fernando Pessoa fala no seu poema  "Autopsicografia".

A pista, que é uma grande ajuda, é que Pessoa refere que quem sente esses dores são tanto o poeta como o leitor, e que o número de dores que ambos sentem é igual. Por isso é só descobrir quantas dores o poeta ou o leitor sentem, e multiplicá-las por dois. Fácil, não é? :)


Sempre vosso,
Luís.

13 comentários:

  1. Eu sou um dos que convive com o Eu Impuro procurando descobrir o meu outro lado da moeda. Não tem como conviver com a sociedade sem uma busca constante.
    Parabéns! Seu poema me levou à meditação.
    Sálvio Sérgio
    http://salviosergiocampos.blogspot.com.br/

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    1. Obrigado, sua reacção fez-me sentir que o meu poema excedeu as minhas expectativas.

      Sim, viver em sociedade é impossível sem uma constante auto-descoberta e capacidade de adaptação ao que nos rodeia.

      Forte abraço.

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  2. Luís, essa se parece muito a realidade do nosso mercado de trabalho, dentro das empresas, onde as pessoas mentem em seus currículos, que são falsas com as outras para querer agrada-las e se esquecem de ser sinceras com elas mesmas! Parabéns pela poesia.

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    1. Obrigado. Infelizmente parece-me que a falsidade faz parte do ser humano, enquanto colectivo. Por isso, vamos sempre encontra-la em quase todos os aspectos da nossa vida.

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  3. GOSTEI MUITO É ÓTIMO A FORMA DE EXPRESSÃO!!!

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    1. Muito obrigado, fico contente que tenhas gostado :)

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  4. Amigo Luís, não podemos confundir o ARTISTA CRIADOR com a sua CRIATURA! O nosso (meu e teu... rsrsrsr) Fernando Pessoa diz em um verso que o Poeta é um fingidor... Fingimos aquilo que escrevemos. Muito embora, as criações poéticas possam ser retratos do cotidiano. Sou poetisa, meus poemas, de um modo geral, são profundamente sensuais. Normalmente sou confundida com a minha arte... E não, necessariamente sou o que escrevo. As vezes sim, outras não... De certa forma, é bom deixar estas ambiguidades no ar...

    E, quanto a falsidade fazer parte do coletivo (e o coletivo é formado por indivíduos, daí o sentimento passa a ser individual), estás corretíssimo. Dado que a falsidade é um tipo de sentimento (embora maléfico), os sentimentos são intrínsecos a nossa natureza humana, sendo eles bons ou ruins.

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    1. Uma verdade profundo, não somos o que escrevemos. Tal como tu, às vezes sou o que escrevo, outras vezes não. Muitas vezes não, são só ideias que tenho na cabeça após visualização de quem me rodeia :)

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  5. Seguindo meu raciocínio do comentário lá em Autopsicografia, depois de ler este poema só concluo que o sujeito poético usando de suas habilidades com as palavras fingem as dores dele mesmo, as do leitores e mascara o que realmente sente.

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  6. Vou compartilhar no meu blog com os créditos, gostei muito!

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